Meu amor pela Apple – Parte 1

Por volta de 1978 meu pai comprou uma novidade muito moderna e revolucionária para a época, um Telejogo. O primeiro console de videogame do Brasil, era fabricado pela Philco que naquela época pertencia a Ford.

Esse foi o primeiro contato que eu tive com o mundo da eletrônica. Eu tinha 12 anos e me lembro das empolgadas partidas que realizávamos. Depois de algum tempo, as poucas opções de jogos que o Telejogo oferecia, foi minando nossa vontade de jogar, e acabamos por desligá-lo da TV.

Depois de alguns anos, entre 1980 e 1981, compramos um Atari 2600. Ele era super legal, gerava imagens coloridas e os jogos tinham sons. Acabamos adquirindo vários cartuchos de jogos. Ainda tenho esse Atari, os controles e cartuchos, só não sei se ele funciona.

Em 1983, quando conversava com um amigo de escola, fiquei sabendo que seu irmão tinha comprado um micro computador TK-85 da Microdigital. Perguntei se eu poderia passar na casa dele para ver como era o tal computador. Ele concordou e eu passei na lá depois do almoço. Fiquei bem surpreso ao ver que o TK-85 era muito pequeno, e que os programas eram gravados em uma fita cassete.

A Microdigital lançou em 1984 um novo modelo de computador designado TK 2000. Ele era um “copião” do computador Apple II Plus. Digo copião, porque os fabricantes de micro computadores daquela época no Brasil, usavam a Lei de Reserva de Informática, para copiar os computadores da Apple e não pagavam licença alguma. Era pirataria oficial pura. Os copiões tinham sempre alguma mudança sutil que servia para se enquadrar na Lei de Informática no. 7.232 de 29/10/1984, e dizer que o computador foi desenvolvido no Brasil.

Terminei o colegial em 1984, e em 1985 fui morar nos Estados Unidos da América para fazer um curso intensivo de Inglês durante um ano. Depois de quatro meses descobri que a minha escola tinha três computadores Apple II+, que ficavam em uma pequena sala fechada ao lado da diretoria. Para usá-los, era preciso uma autorização do diretor.

Apesar dos computadores terem programas que ajudavam a aumentar o vocabulário de Inglês dos alunos, o uso deles não era obrigatório, então, eles ficavam o dia todo praticamente desligados.

Imediatamente falei com o diretor e consegui uma autorização de uso. Eu tinha uma hora e meia livre de horário de almoço, então eu almoçava rapidamente e corria para a sala dos computadores. Logo de início percebi que era preciso fazer um levantamento e organização dos disquetes que a sala tinha, pois estavam todos misturados.

Nessa época, eu comprava mensalmente a revista Nibble. Ela era dirigida aos usuários de computadores Apple II e tinha foco na programação para hobistas. Ela trazia artigos sobre programas como jogos, utilitários e aplicativos. O código fonte dos programas vinha junto com uma boa explicação de como eles funcionavam. De posse dos programas, o usuário digitava os códigos e podia então executá-los e gravá-los para usar mais tarde. Com isso os leitores acabavam aprendendo e desenvolvendo seus próprios programas. A linguagem mais usada era o Basic.

Eu levava a revista para a sala do Apple II+, e passava o intervalo estudando os programas e fazendo os meus próprios.

Quanto mais eu aprendia, mais eu queria usar o computador, mas eu não tinha como fazer isso pois meu curso de Inglês tomava toda a manhã e tarde. Pensei em comprar um Apple IIc, que era bem compacto, mas devido a reserva de informática, meu pai não deixava. Ele achava que quando voltássemos ao Brasil, o computador ficaria preso e teríamos que pagar alguma multa.

Foi então que achei um revendedor Apple que alugava equipamentos e aluguei um Apple IIc por 3 meses. O Apple IIc era um computador com um estilo bem à frente de seu tempo.

Quando retornei ao Brasil em novembro de 1985, fiz o que o meu pai disse, e não trouxe um Apple comigo.

Foi então que a Microdigital lançou em abril de 1986 o TK3000 IIe, um copião do Apple IIe Enhanced.

Acabei comprando um TK3000 IIe pois ele era, na minha opinião, o melhor copião do Apple IIe Enhanced fabricado no Brasil naquela época. Ao longo do tempo, expandi meu TK3000 IIe colocado dois leitores de disquete 5 1/4” slim, uma placa de 1MB de RAM, mouse e joystick.

Meu próximo computador veio em 1989, e veio com estilo. Era um rápido Macintosh SE/30 com processador Motorola 68030 de 16Mhz, 32MB de RAM, 40MB de HD, um drive de disquete de 1.44MB de alta densidade e com o System 6. Ele era simplesmente incrível.

Foi esse computador que me introduziu para o novo mundo do Sistema Operacional baseado em interface gráfica. Com ele também conheci o Hypercard, que era uma sistema de hypermedia.

Fiz uma nova compra em 1992 quando retornei aos Estados Unidos para uma viagem de férias. Dessa vez eu queria um pouco mais de cor no meu desktop. Comprei um Macintosh IIci e um monitor AppleColor High-Resolution RGB de 13″. Veja abaixo uma foto com a mesma configuração.

Esse monitor tinha um tubo CRT da Sony com tecnologia Trinitron e produzia cores e imagens incríveis. Tenho saudade dele até hoje, seu único problema era o peso de 15,5 kilogramas.

Esses foram os Macintoshes que tive  oportunidade de comprar na minha fase amadora, a fase profissional fica para a Parte 2.

Fim da Parte 1

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Sobre Marco Brandão

Sou formado em Ciência da Computação pela Universidade Paulista - Campus Araraquara. Fiz curso de Inglês nos EUA pela escola ELS Language Center em Saint Paul, MN. Comecei a usar computadores Apple em 1985. Entre 1993 e 2001, fui dono da revenda e assistência autorizada Apple chamada Professional Data Tecnologia e Informática Ltda. em Araraquara.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Meu amor pela Apple – Parte 2 | Mac Caipira - 16/maio/2011

    […] vocês puderam ver na Parte 1, tive a oportunidade de ter e usar vários computadores e sistemas operacionais da Apple Computer. […]

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